27/06/15

COMUNICADO REDE

COMUNICADO
A REDE – Associação de Estruturas  para a Dança Contemporânea, vem desta forma, manifestar um parecer coletivo, relativamente à grave situação atual, de progressivo desinvestimento no sector cultural português.
A nosso ver, a atitude do Governo, de destituição do valor das “Práticas de Crítica, Pensamento e Criação”, enquanto essenciais para o equilíbrio das sociedades e desenvolvimento de cada indivíduo, é espelhada na contínua exclusão de um Ministério da Cultura, na reduzida parcela do Orçamento de Estado, atribuído à Cultura e na falta de distinção com que se tem vindo a proceder com vários assuntos relacionados com a Direção Geral das Artes e os Programas de Apoio às Artes.
Após a primeira fase de concurso e resultados dos Apoios às Artes em 2015/2016 - Anuais| Bienais| Tripartidos, parece-nos de relevada importância vincar, antes de mais, que é de responsabilidade da DGArtes cumprir com os pressupostos dos concursos por ela delineados, bem como comunicar, pública e atempadamente, sobre todas as alterações relativas aos processos em causa, uma vez que é nestes moldes que a DGArtes trata os seus candidatos.
É necessária e urgente  a estabilidade do sector. A abertura tardia dos concursos, a saída dos resultados a meio do ano a que respeitam os apoios e a falta de apoios consistentes de continuidade, levam a um funcionamento baseado no imediatismo, o que não se coaduna com as necessidades de sustentabilidade do sector cultural.
É importante refletir sobre os Programas de Apoio às Artes com uma atitude de investimento na Cultura, que por um lado alimente e apoie o tecido cultural, que tem vindo a ser estabelecido em Portugal e internacionalmente ao longo das últimas décadas e, por outro, que aposte e impulsione novas visões e estruturas culturais.
A REDE compromete-se, como sempre fez, a contribuir para a procura de soluções e propostas alternativas, bem como a disponibilizar-se para manter um diálogo próximo entre a DGARTES e o tecido cultural artístico.
Pela REDE - Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea


CULTURA EM LUTA - 9 Junho por outra política para a cultura!









18/03/14

COMUNICADO DA REDE - 18 de Março de 2014

Após Assembleia Geral a 11 de Fevereiro de 2014, a Direcção da REDE estar a cargo da ACCCA, Balleteatro, Bomba Suicida e Companhia Instável, durante o bienio 2014/2015.

O Plano de Acção para 2014 contemplará:
1. Estrutura geral
- Uma Direcção composta por 4 estruturas/membro, durante 2 anos com o intuito de reestruturação da REDE e aceitação de novos associados

2. Plano de acção
Quatro eixos programáticos gerais:
2.1. Papel nas políticas culturais (situação geral dos apoios do Estado, diálogo com a tutela, nomeadamente com o Secretario de Estado da Cultura e Direção Geral das Artes, encontros com as autarquias a nível local, activação de redes de programação, situação dos trabalhadores intermitentes das artes do espectáculo, diálogo com as restantes associações do sector)
2.2 Plataforma de divulgação da atividade de cada membro e de partilha de informação
2.3 Realização de um encontro anual
2.4 Representação a nível internacional

O contacto de email para questões e sugestões mantém-se rede.danca@gmail.com

12/02/13

COMUNICADO DA REDE - 12 de Fevereiro 2013

A REDE vem por este meio manifestar a sua preocupação  relativamente à falta de fundamentação que tem caracterizado os procedimentos adoptados pela Direcção Geral das Artes no âmbito dos concursos de apoio às artes, directos e tripartidos.

É de lembrar que perante as alterações - tão repentinas quanto significativas - nos procedimentos do concurso de apoio às artes 2013-2016, houve, por parte das entidades candidatas (tanto privadas como públicas), um enorme esforço de adaptação.
Lamentamos que o esforço paralelo por parte da DGArtes em acompanhar e esclarecer os potenciais candidatos durante o processo de candidatura, através das sessões de esclarecimento que promoveu assim como com a actualização constante de um documento de perguntas frequentes, não tenha tido sequência após a fixação da lista provisória das entidades admitidas e não admitidas a concurso (directos e tripartidos) ou propostas para financiamento e não financiamento  (tripartidos) permitindo todos os esclarecimentos sobre as decisões adoptadas.
No caso dos apoios directos, a justificação dada relativamente aos motivos de exclusão é definitivamente vaga e mesmo indiferenciada quando se procede à comparação de informação enviada a diferentes entidades, não fornecendo a DGARTES a informação necessária para efeito de audiência de interessados, que permita às estruturas candidatas excluídas poderem  pronunciar-se com propriedade e certeza jurídica suficientes sobre as razões que conduziram à proposta de exclusão.
Quando esta busca de informação objectiva se regista por parte das estruturas em causa, é-lhes segregada a informação com a justificação de que não é permitido à DGArtes entrar em diálogo directo com as estruturas até termino do prazo de audiência de interessados. Este comportamento contraria o direito à informação previsto no Código de Procedimento Administrativo, regulamentador dos concursos públicos, e enclausura a atitude de qualquer refutação, pois se as estruturas aguardam para ter informação objectiva (sem qualquer compromisso por parte da DGArtes de que terminado o prazo se saberiam exactamente as razões) perdem o prazo legal para a audiência de interessados e são assim “obrigadas” a aceitar a decisão tomada pela DGArtes, sem possibilidade de reacção.
Em relação à proposta de decisão dos apoios tripartidos, também a estas tem sido interditado esclarecimentos quando solicitados por entidades que se consideram lesadas pelos procedimentos concursais. Por exemplo, a DGArtes não disponibiliza nenhum documento que justifique discriminadamente as pontuações atribuídas por critério/parâmetro nem divulgam a composição do júri interno que fez a rigorosa avaliação presente no quadro de pontuações disponibilizado. A falta de uma avaliação qualitativa consistente com os critérios e pontuações atribuídas torna todo o processo bastante obscuro e pouco transparente.
Entre muitas outras questões que só uma análise detalhada e com referência a candidaturas específicas nos permitiria abordar, constata-se que houve entidades apoiadas que solicitaram um apoio muito superior ao montante máximo disponível, sem que isso constituísse factor de exclusão; algumas entidades reportaram ter tido conhecimento dos resultados da proposta de decisão através da imprensa e rede sociais, sem terem recebido notificação obrigatória da DGArtes. 

A falta de confiança na tutela gerada em anos anteriores pelos cortes e incumprimento dos contratos está a ser reforçada por todo este processo pouco transparente. O novo paradigma era esperado também na relação com os agentes do sector, num quadro de responsabilidades e interesses comuns. Preocupa-nos  portanto que toda esta falta de esclarecimento,  que contrariam o que está previsto nos procedimentos concursais, fragilize ainda mais o tecido cultural  do nosso país.

A REDE - Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea

Estruturas associadas : A Menina dos Meus Olhos (Lisboa) | Alkantara (Lisboa) | Ballet Contemporâneo do Norte (Santa Maria da Feira) |  Balleteatro (Porto) | Bomba Suicida (Lisboa) | Casa Branca (Lagos) | Circular  (Vila do Conde ) | Companhia Clara Andermatt (Lisboa) | Companhia Instável (Porto) | Devir / Capa (Faro) | Dupla Cena (Lisboa) | EIRA ( Lisboa) | Forum Dança (Lisboa) | Fábrica de Movimentos (Porto) | Jangada de Pedra (Parede) | Materiais Diversos (Lisboa) | Máquina Agradável (Lisboa) |  Núcleo de Experimentação Coreográfica (Porto) | Ninho de Víboras (Almada) | O Rumo do Fumo (Lisboa) | RE.AL (Lisboa) | Teatro do Bolhão (Porto) | Vo'Arte (Lisboa) | ZDB - Negócio (Lisboa) |  ZUT! (Lisboa)

03/11/12

CARTA ABERTA A JORGE SAMPAIO pela EIRA







CARTA ABERTA A JORGE SAMPAIO pela EIRA

"Exmo. Sr. Presidente
Dr. Jorge Sampaio
Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães

Endereço-lhe esta carta perante a insustentabilidade a curto prazo da estrutura de produção e criação artística EIRA, de que sou director artístico e fundador, provocada pelo incumprimento das obrigações contratuais no âmbito da programação de Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura.

A EIRA foi contratada para a co-produção e apresentação do espectáculo “Andiamo!”, tendo cumprido escrupulosamente o acordado e assegurado a estreia na Fábrica Asa no dia 15 de Setembro. Fê-lo na ausência do pagamento de qualquer uma das prestações estipuladas no contrato, datado de 21 de Março, devendo a primeira prestação ter sido paga aquando da sua assinatura. A primeira parcela de 20% do montante total foi paga só a 10 de Outubro e mais nenhum pagamento se lhe seguiu.

Ao longo destes meses, foram assegurados pagamentos de colaboradores e fornecedores assim como a aquisição de bens e serviços indispensáveis à concretização do espectáculo, através de fundos próprios. Recorremos, entretanto, a crédito bancário, o que nos forçou aos encargos adicionais com juros. Na ausência de qualquer resultado perante as tentativas quase diárias de cobrança da dívida ou tão só de garantir um prazo para a saldar, encontro-me eu, e a EIRA, numa situação impossível. 

Nunca, ao longo de quase duas décadas de existência da EIRA, nos vimos confrontados com uma situação de gravidade tal que ameaçasse a nossa existência. Neste ano, foi-nos aplicado um corte de 38% no apoio protocolado com a Direcção-Geral das Artes, o que abalou drasticamente o alcance da nossa actividade. A realização do projecto para Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012, envolvendo todos os artistas e profissionais a nós mais directamente ligados, parecia ser um contributo para suprir a difícil situação financeira e um estímulo à manutenção de um núcleo artístico dinâmico. Ao invés, integrar a programação de Guimarães 2012 pode, a curto prazo, ditar o nosso fim e o fim de um conjunto de condições laborais e artísticas que com a EIRA fui paulatinamente conquistando nos últimos vinte anos, obrigando-me a abandonar o espaço onde trabalho desde 1997 e a despedir toda a equipa.
Claramente, destruir o tecido cultural de um país não é conforme ao espírito de construção de uma União Europeia e aos ideais que motivaram a criação das Capitais Europeias da Cultura. Mas é o que sucederá se a Fundação Cidade de Guimarães, a cujo Conselho Geral o senhor preside, não agir rapidamente de modo a que a instabilidade e os prejuízos já infligidos a inúmeros artistas e organizações não resultem seguidamente na sua ruína. Não é admissível desvirtuar a missão dessa entidade a ponto de contribuir para juntar ao pergaminho de berço da nação de Guimarães o apodo de fossa dos artistas.

Apelo à sua intervenção urgente, acreditando que ela poderá contribuir para uma solução. Não sendo dado a manifestações de desespero, acredite que esta carta é já um sinal de quem não sabe que gesto deve ser o próximo.


Atenciosamente,

Francisco Camacho
Lisboa, 29 de Outubro de 2012."

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