A partir de junho de 2018 a consulta de informação atualizada sobre a REDE - Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea, suas atividades e documentação encontra-se disponível em www.rededanca.pt
12/07/18
22/03/18
DECLARAÇÃO DE POSIÇÃO
SOBRE O NOVO MODELO DE APOIO ÀS ARTES
I. A comunidade artística em
Portugal tem direito à definição e aplicação de uma política cultural clara e
consistente com a contemporaneidade, que se reflita em instrumentos de
regulação, dotação orçamental e calendarização ajustados às reais necessidades
do setor e dos cidadãos, assegurada por uma Tutela munida de competências e
recursos orientados para a excelência.
II. Considera a REDE que o Novo
Modelo de Apoio às Artes em que se integram os atuais concursos de apoio
sustentado não corrige o anterior em aspetos fulcrais e não está suportado numa
clara política cultural que o enquadre, revelando-se tecnicamente inadequado
para garantir uma justa e correta atribuição de apoios ao setor artístico.
III. Ainda que a REDE considere
absolutamente necessário o reforço orçamental recentemente anunciado para os
Apoios às Artes, que deve ser aplicado a todos os concursos, para a correção, a
curto prazo, das assimetrias graves perpetuadas ou mesmo agravadas pelo Novo
Modelo, não pode aceitar a continuação de um sistema enfermo, que continuará a
ter um impacto nefasto no setor cultural a médio e longo prazo.
1. REFORMULAÇÃO DO MODELO DE
APOIO ÀS ARTES
1.1. Durante quase dois anos, o
setor cultural acolheu o adiamento do ciclo concursal para reformulação do
Modelo de Apoio às Artes vigente na expectativa da criação de um Novo Modelo
ajustado à atividade e necessidades do setor.
1.2. Contudo, isso não se
verificou com a publicação do novo Decreto-Lei, do novo regulamento (portaria)
e na concretização do concurso aos Apoios Sustentados às Artes lançado no final
de 2017, que não só não traduz uma nova política cultural estruturada e
reforçada, como se revela tecnicamente deficitário e cria novos constrangimentos
ao setor sem resolver os anteriormente existentes.
1.3. Apesar de durante todo o
processo de revisão legislativa a REDE ter colaborado ativamente na reflexão
desencadeada, participando com documentos de princípio, pareceres técnicos e
sugestões, não se revê no resultado proposto e no Modelo de Apoios assumido.
1.4. Em fevereiro/março de
2018, face aos resultados já conhecidos dos concursos aos Apoios Sustentados às
Artes, evidenciam-se várias fragilidades deste Novo Modelo, algumas delas
apontadas durante o processo de consulta e não revistas, e outras sentidas
durante o processo de candidatura, que não demonstrou os sinais de
desburocratização e simplificação anunciados e desejáveis, nem conseguiu
resolver os principais problemas do anterior sistema: calendarização, dotação
orçamental adequada ao cômputo global e à correção de assimetrias regionais,
competição entre entidades de naturezas, missões, atividades e escalas
completamente diferentes.
1.5. O Modelo proposto não é um
Novo Modelo mas sim uma equívoca revisão do anterior, não apresentando uma
reformulação dos Apoios às Artes que considere e valorize a diversidade do
setor. Como começaram a revelar os resultados dos concursos, e como era
infelizmente expectável, não é possível defender a diversidade sem a introdução
de critérios e graus de exigência igualmente diversificados. Um Novo
Modelo de Apoio às Artes deve extravasar a distribuição financeira dos apoios,
regulando, priorizando e fomentando o desenvolvimento salutar e transversal do
setor.
1.6. O recurso a apoios
extraordinários, prorrogações e reforços de verba são medidas paliativas que
não corrigem problemas de fundo. O reforço orçamental recentemente anunciado de
1, 5 milhões, atribuído na sequência dos resultados que se foram conhecendo nos
últimos dias, desconhecendo-se ainda a sua aplicação, mal atenua efeitos
imediatos e adia a resolução dos problemas existentes, confirmando a
incapacidade de resposta do Governo, até agora, face ao subfinanciamento dos
Apoios às Artes.
2. O QUE DEFENDEMOS
2.1. O Governo deverá
reconhecer a fragilidade do Novo Modelo de Apoio às Artes e comprometer-se a
rever cabalmente o sistema, em verdadeira colaboração com o setor, e sem
comprometer a continuidade do seu funcionamento durante esse processo.
2.2. Assim, defendemos:
2.2.1. Uma radical renovação do
Modelo de Apoio às Artes, acompanhada de um compromisso com uma verdadeira
política cultural para o país.
2.2.2. Valores significativos
de investimento para o setor tendo em conta as reais necessidades de
desenvolvimento e não a existência de ajustamentos corretivos, não
estratégicos, que demonstrem um investimento inequívoco coerente com a política
cultural definida.
2.2.3. Prazos de concursos
justos e exequíveis, com efeitos antes do início de execução das atividades,
uma luta do setor de anos, apenas possível com concursos realizados no ano
anterior àquele para o qual se candidatam os projetos, com contratualizações
atempadas para a execução financeira e efetiva dos projetos.
2.2.4. Sistemas justos de
avaliação, em que se compare o comparável, e concursos distintos para entidades
com naturezas e missões distintas, pois o presente Modelo não resolve problemas
estruturais, com consequências gravíssimas nos resultados dos concursos, por um
lado persistindo em colocar no mesmo concurso estruturas de escalas e naturezas
distintas, por outro lado incluindo no mesmo concurso estruturas independentes
e estruturas que pela sua missão e/ou histórico são de facto entidades de cariz
público.
2.2.5. Um Modelo que lance uma
verdadeira descentralização cultural, com envolvimento e responsabilização
efetivos dos Municípios e Associações de Municípios, não deixando o ónus dessa
negociação nas mãos das estruturas independentes.
2.2.6. Um sistema de apoio às
artes que salvaguarde os princípios da:
2.2.6.1. equidade
(distribuição justa entre áreas artísticas, entre regiões, etc.);
2.2.6.2. progressão (entidades/projetos
de diferentes dimensões com diferentes critérios de acesso);
2.2.6.3. transparência
(políticas, critérios e informação atempada, clara e comunicada a todos);
2.2.6.4. eficiência (dos
próprios organismos de Estado, cumprindo prazos e sistema proposto. Tome-se
como exemplo um sistema de pontuação com aplicação correta, clara e objetiva);
2.2.6.5. simplicidade (desburocratização
dos processos);
2.7. Uma Tutela eficiente e
capaz de levar a cabo esta renovação, com a confiança do Setor, do Governo e da
Sociedade, mas também com as condições e recursos necessários para pensar,
discutir, alterar e aplicar um Modelo de Apoio às Artes justo.
2.8. Condições para, em
conjunto com o Estado, desenvolvermos o nosso trabalho e desempenharmos o nosso
papel de uma forma plena, atuando no desenvolvimento artístico, sustentado, do
país.
REDE - Associação de Estruturas
para a Dança Contemporânea
Organização supra-associativa,
constituída em 2004, que representa a comunidade da Dança Contemporânea
Portuguesa e defende os seus interesses e a implementação de uma política
cultural que assuma a importância da arte, e da dança contemporânea, enquanto
elemento fundamental no desenvolvimento da sociedade portuguesa.
Atualmente a REDE representa 32
estruturas.
29/09/17
No contexto do período de consulta pública sobre o Projeto de Regulamento dos Programas de Apoio às Artes que termina hoje, dia 29-09-2017, a REDE desenvolveu um documento que já teve oportunidade de apresentar e detalhar ao Sr. Secretário de Estado da Cultura e à Sr.ª Diretora-Geral das Artes, no passado dia 26-09-2017.
Até ao final dia de hoje poderão consultar e utilizar parte ou a integra do documento disponível para consulta e enviar para os endereços disponíveis para receber os contributos do setor regulamento.artes@mc.gov.pt e/ou regulamento.comissoes@mc.gov.pt
Agradecemos a todos os que contribuíram para a realização deste documento que espelha a nossa posição sobre o PRPAA.
Até ao final dia de hoje poderão consultar e utilizar parte ou a integra do documento disponível para consulta e enviar para os endereços disponíveis para receber os contributos do setor regulamento.artes@mc.gov.pt e/ou regulamento.comissoes@mc.gov.pt
Agradecemos a todos os que contribuíram para a realização deste documento que espelha a nossa posição sobre o PRPAA.
16/05/17
#politicaculturalemportugal
Uma delegação do CENA, STE, REDE
e PLATEIA, reuniu no passado dia 27 de Abril com o Ministério da Cultura e a
Direção-Greal das Artes, representados, entre outros, pelo Secretário de Estado
da Cultura, Miguel Honrado, e pela Diretora-Geral das Artes, Paula Varanda,
para discutir o comunicado conjunto "Pontos de Consenso relativamente a um
Novo Modelo de Apoio às Artes".
Nesta reunião não foram
dadas informações definitivas sobre as opções que serão tomadas na
revisão do atual modelo de apoio às artes e respetivos concursos, mas
parece-nos importante dar nota de algumas informações relevantes para
o setor:
- concordam o MC e a DGArtes com
grande parte das preocupações e sugestões feitas no comunicado conjunto;
- foi afirmado que o apoio à
criação será inequívoco, continuando a constituir o pilar base de todo o modelo
de apoio às artes, que deve assegurar a diversidade de escalas e tipologias de
projeto;
- o MC
irá tentar dotar o apoio às artes de mecanismos orçamentais que
permitam dar ao setor maior segurança, nomeadamente através do reforço das
verbas, da inscrição plurianual da despesa dos apoios plurianuais (em estudo) e
da estabilização dos calendários de concurso, que, foi afirmado, devem ser o
instrumento para a distribuição transparente e eficaz dos apoios às artes;
- no modelo
constarão ainda normas que visam valorizar a estabilidade dos
trabalhadores e que terão como objetivo combater a precariedade laboral.
Segundo o SEC, e apesar de a
proposta de novo modelo estar já avançada, não há ainda decisões definitivas
sobre um vasto número de matérias. É expectável que no final do 1º
semestre de 2017 ela esteja pronta e preparada para ser
aprovada no início do 2º semestre, de modo que os concursos para 2018
sejam abertos no último trimestre deste ano e que os contratos sejam então
assinados no 1º trimestre de 2018.
A nossa delegação deixou bem
vincado que é essencial que estes prazos sejam cumpridos, para que estruturas e
trabalhadores não sejam prejudicados e que no futuro estes prazos sejam
corrigidos através da dotação orçamental plurianual ou outro mecanismo.
Relativamente às opções que nos
foram transmitidas como estando ainda em estudo, demos o nosso parecer e
fizemos os alertas necessários de acordo com os princípios fundamentais afirmados
no comunicado conjunto: eficácia, acessibilidade e transparência.
21/03/17
No passado dia 15 de março foi enviado ao Ministério da
Cultura, à Secretaria de Estado da Cultura, à Direção-Geral das Artes e a todos
os Grupos Parlamentares um comunicado conjunto intitulado Pontos de Consenso relativamente
ao Novo Modelo de Apoio às Artes, da iniciativa do CENA – Sindicato dos
Músicos, dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual, da PLATEIA –
Associação de Profissionais das Artes Cénicas, da REDE – Associação de
Estruturas para a Dança Contemporânea e do STE – Sindicato dos Trabalhadores
de Espectáculos.
No mesmo dia foi também formalmente solicitada uma audiência
com a presença do Sr. Ministro da Cultura, do Sr. Secretário de Estado, da Sra.
Diretora-Geral das Artes e representantes das quatro estruturas que deram forma
à iniciativa.
Este documento apresenta propostas que partem de ideias
representativas e consensuais dentro das referidas estruturas e dos contactos
mantidos nos últimos anos com o meio em que desenvolvem a sua atividade.
Esta iniciativa tem como finalidade exprimir um
consenso em torno de princípios base e contribuir ativamente para a construção
de um Novo Modelo de Apoio às Artes, demonstrando que o sector está disponível
para cooperar no desenvolvimento de melhores condições para as Artes.
Entende-se que um Novo Modelo deve responder de forma mais
eficaz, mais acessível e mais transparente aos desafios atuais da realidade
artística e ao dever constitucional de assegurar condições para a criação e
fruição cultural plural em todo o território. Como garantia destas condições,
considera-se fundamental o princípio da independência, ao qual subjazem todas
as propostas descritas no Comunicado Conjunto, valorizando a liberdade e a
expressão democrática.
No dia 20 de março o Comunicado Conjunto foi tornado público
e divulgado nas redes sociais e outros suportes das estruturas referidas,
conjuntamente com um selo de incentivo à manifestação pública através de
textos livres sobre o Futuro do Apoios às Artes. Pretende-se um envolvimento
mais alargado e ativo do sector na inciativa, mas também uma maior
consciencialização da sociedade para a importância do apoio e do
desenvolvimento das Artes em Portugal.
No dia 22 de março iniciam-se as publicações de textos de
reflexão da autoria de vários agentes do sector.
A REDE tem vindo
também a desenvolver um trabalho de reflexão e discussão interna, durante os
últimos meses, sobre o atual modelo e o futuro do Apoio às Artes, que resultou
em dois documentos contendo um conjunto de propostas para um Novo
Sistema. Ambos os documentos foram também já partilhados com a tutela
e grupos parlamentares.
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